09/03/2013
08/03/2013
Ângulo de ataque

Há-de haver uma teoria que se debruce única e exclusivamente sobre o gesto capital nas fêmeas da espécie, Ivone.
Porque as fêmeas da espécie, ao contrário dos machos, usam a rotação da cabeça sobre o eixo dos zz e sobre o eixo dos xx (o eixo dos xx rodado em z dá o eixo dos yy – e não sei se esta observação não é mais do que geométrica) na sua dança nupcial.
Em função do ângulo β e da variação de α para α1 e da linha descrita pelo cocuruto neste movimento, há-de descobrir-se, Ivone, a intenção que precede o movimento.
Já a reacção causada nos machos da espécie por tal desenho fica por estudar, Ivone.

Há-de haver uma teoria que se debruce única e exclusivamente sobre o gesto capital nas fêmeas da espécie, Ivone.
Porque as fêmeas da espécie, ao contrário dos machos, usam a rotação da cabeça sobre o eixo dos zz e sobre o eixo dos xx (o eixo dos xx rodado em z dá o eixo dos yy – e não sei se esta observação não é mais do que geométrica) na sua dança nupcial.
Em função do ângulo β e da variação de α para α1 e da linha descrita pelo cocuruto neste movimento, há-de descobrir-se, Ivone, a intenção que precede o movimento.
Já a reacção causada nos machos da espécie por tal desenho fica por estudar, Ivone.
07/03/2013
06/03/2013
O século XXI da América Latina
Chávez encarnou o século XXI na América Latina. Apesar de Raúl Castro, apesar de Lula da Silva, apesar de Evo Morales.
Dividir-se-ão as opiniões – um demo-comunista, um demo-fascista, um caudilho, um demagogo, um populista.
Qualquer dos epítetos, e o mundo precisa de etiquetas, lhe pode assentar.
Sobra o resto – saber se o povo o aprovou e se o povo melhorou de condição sob a sua liderança.
Se o aprovou – parece que a resposta está nos plebiscitos, desde o momento em que foram considerados não fraudulentos.
Se melhorou de condição – só o próprio povo o poderia ter dito. Para além dos números, pela sua vontade, que é, palpitamo-lo, mais feita de emoções do que de convicções. Assim sendo...
Sobre o homem, escrevi o que escrevi há quatro anos e meio e não retiro uma letra.
Chávez encarnou o século XXI na América Latina. Apesar de Raúl Castro, apesar de Lula da Silva, apesar de Evo Morales.
Dividir-se-ão as opiniões – um demo-comunista, um demo-fascista, um caudilho, um demagogo, um populista.
Qualquer dos epítetos, e o mundo precisa de etiquetas, lhe pode assentar.
Sobra o resto – saber se o povo o aprovou e se o povo melhorou de condição sob a sua liderança.
Se o aprovou – parece que a resposta está nos plebiscitos, desde o momento em que foram considerados não fraudulentos.
Se melhorou de condição – só o próprio povo o poderia ter dito. Para além dos números, pela sua vontade, que é, palpitamo-lo, mais feita de emoções do que de convicções. Assim sendo...
Sobre o homem, escrevi o que escrevi há quatro anos e meio e não retiro uma letra.
05/03/2013
Sentencioso
Há um conjunto de pessoas que se caracteriza por exercer, de forma assaz sentenciosa, uma actividade pouco consequente – a de querer estabelecer preços para os bens alheios.
Integro hoje esse conjunto. E não sei se será uma vez sem exemplo.
Não sou de opinião que uma casa de apostas aceite pagar, na altura em que escrevo estas linhas, apenas 5000 para 1 no caso de Mario Balotelli vir a ser o próximo Papa. Acho pouco. Muito pouco.
Há um conjunto de pessoas que se caracteriza por exercer, de forma assaz sentenciosa, uma actividade pouco consequente – a de querer estabelecer preços para os bens alheios.
Integro hoje esse conjunto. E não sei se será uma vez sem exemplo.
Não sou de opinião que uma casa de apostas aceite pagar, na altura em que escrevo estas linhas, apenas 5000 para 1 no caso de Mario Balotelli vir a ser o próximo Papa. Acho pouco. Muito pouco.
04/03/2013
Racionalidade
As declarações que Sá Fernandes, o advogado da família do desaparecido Rui Pedro, prestou hoje aos jornalistas são um excelente material para reflexão.
Um excelente material para se perceber a lógica que preside ao argumentário e às decisões no que se pretende chamar justiça.
Tudo perfeitamente compatível com o esperado.
As declarações que Sá Fernandes, o advogado da família do desaparecido Rui Pedro, prestou hoje aos jornalistas são um excelente material para reflexão.
Um excelente material para se perceber a lógica que preside ao argumentário e às decisões no que se pretende chamar justiça.
Tudo perfeitamente compatível com o esperado.
03/03/2013
02/03/2013
A pior época de sempre
Confirmou-se hoje.
Nunca na história dos campeonatos nacionais de futebol o Sporting teve uma época como esta.
Ainda que daqui até ao final ganhasse todos os jogos ficaria abaixo do seu pior – as épocas de 66/67 e 68/69.
As contas fizeram-se medindo o aproveitamento em 100% para cada vitória, 50% para cada empate, 0% para cada derrota e estabelecendo um coeficiente de dificuldade em função do número de jogos disputados.
Confirmou-se hoje.
Nunca na história dos campeonatos nacionais de futebol o Sporting teve uma época como esta.
Ainda que daqui até ao final ganhasse todos os jogos ficaria abaixo do seu pior – as épocas de 66/67 e 68/69.
As contas fizeram-se medindo o aproveitamento em 100% para cada vitória, 50% para cada empate, 0% para cada derrota e estabelecendo um coeficiente de dificuldade em função do número de jogos disputados.
Mani festem-se
Que Portugal não tem recursos para albergar a sua população com um padrão de vida que se assemelhe ao dos países mais evoluídos é, para não dizer uma certeza, uma sensação com uma longa história.
Tão longa que remonta à estabilização das fronteiras e ao povoamento.
Desde sempre, pode assim dizer-se, nos debatemos com essa condição – a de povo maior do que as fronteiras que conhece.
Toda a gente conhece a História – fomos buscar os recursos que não tínhamos a outras paragens.
A viagem terminou há umas décadas.
Desde então engendraram-se estratagemas para que outros pagassem o nosso nível de vida.
A inércia da História deu uma ajuda empurrando-nos para uma união europeia.
Estamos numa fase, das muitas por que já passámos, em que os recursos não permitem vida à grande.
Graças à estupidez da classe política que nos conduziu nas últimas décadas malbaratámos em apitos e flautas o que devíamos ter empregado para produzir.
Estes que nos governam hoje, bons ou maus que sejam, são dos que menos culpa têm do que se passou nesse entretanto. Parece que perceberam o problema. Parece também que não têm grande capacidade para lidar com ele. Não vejo ninguém capaz entre mim e o horizonte.
Mani festem-se. Estarão a bradar contra as vossas escolhas, na maior parte dos casos.
Que Portugal não tem recursos para albergar a sua população com um padrão de vida que se assemelhe ao dos países mais evoluídos é, para não dizer uma certeza, uma sensação com uma longa história.
Tão longa que remonta à estabilização das fronteiras e ao povoamento.
Desde sempre, pode assim dizer-se, nos debatemos com essa condição – a de povo maior do que as fronteiras que conhece.
Toda a gente conhece a História – fomos buscar os recursos que não tínhamos a outras paragens.
A viagem terminou há umas décadas.
Desde então engendraram-se estratagemas para que outros pagassem o nosso nível de vida.
A inércia da História deu uma ajuda empurrando-nos para uma união europeia.
Estamos numa fase, das muitas por que já passámos, em que os recursos não permitem vida à grande.
Graças à estupidez da classe política que nos conduziu nas últimas décadas malbaratámos em apitos e flautas o que devíamos ter empregado para produzir.
Estes que nos governam hoje, bons ou maus que sejam, são dos que menos culpa têm do que se passou nesse entretanto. Parece que perceberam o problema. Parece também que não têm grande capacidade para lidar com ele. Não vejo ninguém capaz entre mim e o horizonte.
Mani festem-se. Estarão a bradar contra as vossas escolhas, na maior parte dos casos.
O sismo de ontem às 19:46
No âmbito das curiosidades que venho mencionando nos últimos posts, é forçoso mencionar o sismómetro embebível.
A qualidade de embebível remeto-a para futura e aturada explicação.
O sismómetro em si é a óbvia conjugação da localização deste prédio onde me encontro, do tipo de terreno em que está implantado, da sua estrutura, da altura a que estou da cota de soleira, da cadeira onde me sento e da minha própria sensibilidade.
Há arrancos e arrancos, alturas em que se nota uma maior frequência, depois há aqueles que não enganam – é um sismo que os aparelhos registaram.
Ontem, pelas 19:46, tomei nota de um abanão desse tipo.
Só hoje verifiquei qua constava da lista do IPMA. Diz que ocorreu às 19:44. O relógio está certo. Do Gorringe aqui, as ondas terão levado cerca de dois minutos.
No âmbito das curiosidades que venho mencionando nos últimos posts, é forçoso mencionar o sismómetro embebível.
A qualidade de embebível remeto-a para futura e aturada explicação.
O sismómetro em si é a óbvia conjugação da localização deste prédio onde me encontro, do tipo de terreno em que está implantado, da sua estrutura, da altura a que estou da cota de soleira, da cadeira onde me sento e da minha própria sensibilidade.
Há arrancos e arrancos, alturas em que se nota uma maior frequência, depois há aqueles que não enganam – é um sismo que os aparelhos registaram.
Ontem, pelas 19:46, tomei nota de um abanão desse tipo.
Só hoje verifiquei qua constava da lista do IPMA. Diz que ocorreu às 19:44. O relógio está certo. Do Gorringe aqui, as ondas terão levado cerca de dois minutos.
01/03/2013
Sonoplastia
Não faço a menor ideia se se trata de um fenómeno raro ou de coisa corriqueira a que nunca tinha prestado atenção.
Ocorreu-me que seria uma manifestação tão estranha quanto o eram as figuras dos passantes na rua projectadas no tecto do quarto em determinadas condições de luz e sombra.
Trata-se do trinado melodioso de um pássaro que jorra de uma pequena garrafa de plástico, com tampa igualmente de plástico, onde deitei gasosa. No caso era mesmo 7up.
Não é coisa de um momento. Ouvi-o ontem pouco depois de a ter enchido e ouvi-o hoje pela manhã. Sem lhe haver tocado.
Não faço a menor ideia se se trata de um fenómeno raro ou de coisa corriqueira a que nunca tinha prestado atenção.
Ocorreu-me que seria uma manifestação tão estranha quanto o eram as figuras dos passantes na rua projectadas no tecto do quarto em determinadas condições de luz e sombra.
Trata-se do trinado melodioso de um pássaro que jorra de uma pequena garrafa de plástico, com tampa igualmente de plástico, onde deitei gasosa. No caso era mesmo 7up.
Não é coisa de um momento. Ouvi-o ontem pouco depois de a ter enchido e ouvi-o hoje pela manhã. Sem lhe haver tocado.
28/02/2013
26/02/2013
Sopas depois d’almoço
A ASAE, cuja tem nos últimos tempos mostrado um certo low-profile, veio pela voz do inspector-geral afirmar que, depois das notícias postas a correr sobre a troca de carne de vaca e de porco, nas mixórdias, por carne de cavalo, tinha redobrado a vigilância.
Hoje soubemos que tinha aberto cinco processos-crime nesse âmbito.
Assim é fácil. Depois de almoço a sopa sabe bem a alguns, é certo.
A ASAE, cuja tem nos últimos tempos mostrado um certo low-profile, veio pela voz do inspector-geral afirmar que, depois das notícias postas a correr sobre a troca de carne de vaca e de porco, nas mixórdias, por carne de cavalo, tinha redobrado a vigilância.
Hoje soubemos que tinha aberto cinco processos-crime nesse âmbito.
Assim é fácil. Depois de almoço a sopa sabe bem a alguns, é certo.
25/02/2013
Conceitos
Ando aqui a criar conceitos.
O conceito de cartão de pontos para este blogue.
O conceito de bebida oficial para este blogue.
O conceito de época oficial deste blogue.
O conceito de posts gourmet para este blogue.
O conceito de sítio de charme para este blogue.
O conceito de criar conceitos neste blogue.
A seguir mando chamar aqueles senhores das batas brancas e da camisa do abracinho:

imagem no eBay
Ando aqui a criar conceitos.
O conceito de cartão de pontos para este blogue.
O conceito de bebida oficial para este blogue.
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O conceito de criar conceitos neste blogue.
A seguir mando chamar aqueles senhores das batas brancas e da camisa do abracinho:

imagem no eBay
23/02/2013
Notícias do manicómio
O barulho hoje é sobre uma lei que aparentemente foi publicada em desacordo com o texto aprovado.
Pretende-se que num texto mal parido a falta de um artigo definido (de em vez de + a) é ela a causa da indefinição de que se fala.
Já nem perco tempo com as interpretações da Lei 46/2005. Tem quase oito anos.
O que me incomoda hoje é que, a ser verdade que a lei está mal transcrita, me restam duas hipóteses:
Sendo a primeira, um grande ponto de exclamação.
Sendo a segunda, houve alguma aldrabice algures. Aldrabice cujo alcance não se alcança muito bem.
Não sendo nenhuma das acima é o caso em que a notícia está errada.
Nota: no destacar das preposições o Expresso fez asneira logo no segundo destaque. É já vulgar por aquelas bandas.
O barulho hoje é sobre uma lei que aparentemente foi publicada em desacordo com o texto aprovado.
Pretende-se que num texto mal parido a falta de um artigo definido (de em vez de + a) é ela a causa da indefinição de que se fala.
Já nem perco tempo com as interpretações da Lei 46/2005. Tem quase oito anos.
O que me incomoda hoje é que, a ser verdade que a lei está mal transcrita, me restam duas hipóteses:
| a) | ou ainda estamos no tempo das secretárias-dactilógrafas e assim sendo uma gralha destas é perfeitamente admissível; |
| b) | ou não estamos já nesse tempo e a lei é escrita na sua versão final uma vez e só uma vez num processador de texto e em seguida esse ficheiro é multiplicado e distribuído para os diversos fins. |
Sendo a segunda, houve alguma aldrabice algures. Aldrabice cujo alcance não se alcança muito bem.
Não sendo nenhuma das acima é o caso em que a notícia está errada.
Nota: no destacar das preposições o Expresso fez asneira logo no segundo destaque. É já vulgar por aquelas bandas.
22/02/2013
Juízo de intenções
No mundo de doidos em que se precipitou a humanidade com a massificação da informação e da desinformação, temos agora oportunidade de assistir aos comentários que suscita um juízo de intenções.
Não é uma oportunidade única nem a não perder. Mas é uma oportunidade de apreciar o grau que atinge certa loucura. No caso a da chamada justiça, das paixões e da sua mediação pela imprensa.
Aqui, como em muitos outros casos, estamos na Caverna. Só percebemos as sombras. Mas isso parece ser ainda mais rico.

fotografia de Siphiwe Sibeko para a Reuters via NY Daily News
No mundo de doidos em que se precipitou a humanidade com a massificação da informação e da desinformação, temos agora oportunidade de assistir aos comentários que suscita um juízo de intenções.
Não é uma oportunidade única nem a não perder. Mas é uma oportunidade de apreciar o grau que atinge certa loucura. No caso a da chamada justiça, das paixões e da sua mediação pela imprensa.
Aqui, como em muitos outros casos, estamos na Caverna. Só percebemos as sombras. Mas isso parece ser ainda mais rico.

fotografia de Siphiwe Sibeko para a Reuters via NY Daily News
21/02/2013
Carne de cavalo
Não me refiro à aldrabice que é vender cavalo por vaca. Ou gato por lebre.
Refiro-me à repetida ideia de que a carne de cavalo é uma espécie de produto nocivo. Ou que não há sequer memória de alguém ter comido tal carne.
Ideia que transpareceu primeiro dos noticiários das cadeias internacionais e agora das portuguesas.
Não sou perito em hábitos alimentares. Não faço ideia se se come muita, pouca ou nenhuma carne de cavalo nas ilhas britânicas. O que sei é que conheço desde sempre um talho que vende carne de cavalo – até tem cavalos pintados nos vidros – e parto por isso do princípio de que se ele se aguenta há cinquenta anos a vender carne de cavalo é porque há quem compre.
E se há quem compre, deve haver quem coma.
Episódios de carne de cavalo (e de burro) por vaca são mais ou menos cíclicos. Ter uma marca de renome associada a tal burla também não é surpresa.
Crimes perfeitos há-os em toda a parte. São os de que ninguém dá conta.
Estes são apenas imperfeitos e já muito vistos.
Não me refiro à aldrabice que é vender cavalo por vaca. Ou gato por lebre.
Refiro-me à repetida ideia de que a carne de cavalo é uma espécie de produto nocivo. Ou que não há sequer memória de alguém ter comido tal carne.
Ideia que transpareceu primeiro dos noticiários das cadeias internacionais e agora das portuguesas.
Não sou perito em hábitos alimentares. Não faço ideia se se come muita, pouca ou nenhuma carne de cavalo nas ilhas britânicas. O que sei é que conheço desde sempre um talho que vende carne de cavalo – até tem cavalos pintados nos vidros – e parto por isso do princípio de que se ele se aguenta há cinquenta anos a vender carne de cavalo é porque há quem compre.
E se há quem compre, deve haver quem coma.
Episódios de carne de cavalo (e de burro) por vaca são mais ou menos cíclicos. Ter uma marca de renome associada a tal burla também não é surpresa.
Crimes perfeitos há-os em toda a parte. São os de que ninguém dá conta.
Estes são apenas imperfeitos e já muito vistos.
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