Comentadores
Não me canso de o referir: a parte mais deliciosa do ciclismo são os comentários. A lógica, a razão, a perspicácia, o alcance, as bitolas e os preconceitos.
Todo um compêndio de retórica. E outro de lógica.
10/08/2013
09/08/2013
07/08/2013
Nomes
Não me deixarei arrastar pela razão. Que ela não assiste a estas coisas. Nunca assistiu, não seria agora que passaria a assistir.
O facto é que o Torneio dito do Guadiana se disputou este ano (não fazendo eu ideia de onde se disputaram as últimas edições) na foz do Arade. Em Portimão.
Não há nada de novo neste arrastar dos nomes sobre a ecúmena. É uma prática existente desde que existem nomes.
O que me parece curioso – e foi coisa que vi há momentos – é que o troféu (os troféus, pois vi três) representam uma ponte de tirantes.
Que tanto pode ser a de Rito, sobre o Arade, como a de Câncio Martins, sobre o Guadiana.
Se há elementos nos troféus que identifiquem claramente de qual das duas se trata, não tive tempo para os apreciar.
Não me deixarei arrastar pela razão. Que ela não assiste a estas coisas. Nunca assistiu, não seria agora que passaria a assistir.
O facto é que o Torneio dito do Guadiana se disputou este ano (não fazendo eu ideia de onde se disputaram as últimas edições) na foz do Arade. Em Portimão.
Não há nada de novo neste arrastar dos nomes sobre a ecúmena. É uma prática existente desde que existem nomes.
O que me parece curioso – e foi coisa que vi há momentos – é que o troféu (os troféus, pois vi três) representam uma ponte de tirantes.
Que tanto pode ser a de Rito, sobre o Arade, como a de Câncio Martins, sobre o Guadiana.
Se há elementos nos troféus que identifiquem claramente de qual das duas se trata, não tive tempo para os apreciar.
Os servos e os lobos
Ontem, alheado de tudo o mais, fixava eu umas imagens de um canal de televisão que calculo fosse o National Geographic.
Na edição de imagem haviam acrescentado uns pequenos focos luminosos de cores distintas – uma cor representava os cervos, outra os lobos.
Enquanto as manobras decorriam, de parte a parte, lobos à caça, cervos em fuga, as imagens confundiam-se ali com a minha representação da nossa história recente no palco do mítico pinhal da Azambuja.
Não eram cervos, eram servos capitaneados por mentecaptos as luzes de certa cor.
Não eram lobos, eram chicos-espertos, ladrões e aldrabões, as luzes da outra.
Evoluíam todos numa espécie de bailado em que o resultado final era contrário ao espírito das fábulas. E qual será o espírito das fábulas?
Ontem, alheado de tudo o mais, fixava eu umas imagens de um canal de televisão que calculo fosse o National Geographic.
Na edição de imagem haviam acrescentado uns pequenos focos luminosos de cores distintas – uma cor representava os cervos, outra os lobos.
Enquanto as manobras decorriam, de parte a parte, lobos à caça, cervos em fuga, as imagens confundiam-se ali com a minha representação da nossa história recente no palco do mítico pinhal da Azambuja.
Não eram cervos, eram servos capitaneados por mentecaptos as luzes de certa cor.
Não eram lobos, eram chicos-espertos, ladrões e aldrabões, as luzes da outra.
Evoluíam todos numa espécie de bailado em que o resultado final era contrário ao espírito das fábulas. E qual será o espírito das fábulas?
06/08/2013
05/08/2013
Gibraltar
Continuo convencido de que é obrigação do Estado português estar discretamente ao lado do Estado espanhol em todas as suas reivindicações a respeito de Gibraltar.
Para na eventualidade, ainda que pouco provável, da soberania sobre aquele enclave regressar a Espanha estarmos na posse de um ás de trunfo (e talvez também da manilha) no jogo de argumentos à volta de Olivença.
NOTA: emendo a mão no que respeita a um comentário replicativo feito em 2004 – os assuntos de soberania e de dignidade do Estado são prioritários.
Continuo convencido de que é obrigação do Estado português estar discretamente ao lado do Estado espanhol em todas as suas reivindicações a respeito de Gibraltar.
Para na eventualidade, ainda que pouco provável, da soberania sobre aquele enclave regressar a Espanha estarmos na posse de um ás de trunfo (e talvez também da manilha) no jogo de argumentos à volta de Olivença.
NOTA: emendo a mão no que respeita a um comentário replicativo feito em 2004 – os assuntos de soberania e de dignidade do Estado são prioritários.
04/08/2013
Jus
A ser verdade tudo o que está escrito na edição do Expresso de 20 de Jullho p.p. e que consta, a título de referência de imprensa, na página da ASJP, temos ali um quase paradigma daquilo a que alguns chamam o edifício da justiça.
E um exemplo claro do que deve ser varrido. Sem contemplações.
A ser verdade tudo o que está escrito na edição do Expresso de 20 de Jullho p.p. e que consta, a título de referência de imprensa, na página da ASJP, temos ali um quase paradigma daquilo a que alguns chamam o edifício da justiça.
E um exemplo claro do que deve ser varrido. Sem contemplações.
02/08/2013
RTP
A RTP repete os concursos com Fernando Mendes sem colocar a respectiva indicação de programa repetido por:
a) ser isso uma forma de avaliar as audiências;
b) não ter respeito pelos que pagam aos seus funcionários;
c) não haver lá ninguém que saiba quais foram os concursos já emitidos;
d) haver alguém que se diverte a trocar as referências dos programas;
e) uma razão obscura que ninguém na RTP conhece;
f) algo que não tenha sido indicado nas alíneas anteriores.
A RTP repete os concursos com Fernando Mendes sem colocar a respectiva indicação de programa repetido por:
a) ser isso uma forma de avaliar as audiências;
b) não ter respeito pelos que pagam aos seus funcionários;
c) não haver lá ninguém que saiba quais foram os concursos já emitidos;
d) haver alguém que se diverte a trocar as referências dos programas;
e) uma razão obscura que ninguém na RTP conhece;
f) algo que não tenha sido indicado nas alíneas anteriores.
01/08/2013
B A BA
O mais previsível entre um burro, um aldrabão e um burro-aldrabão é este último.
Controlado de perto, apresenta um risco mínimo.
Quando nos apercebemos de que há demasiados indivíduos desta espécie a operar causando dano – e todos os dias somos bombardeados com notícias do género – uma de duas coisas aconteceu:
Não foram controlados.
Foram controlados por gente que integra uma das espécies mencionadas.
O mais previsível entre um burro, um aldrabão e um burro-aldrabão é este último.
Controlado de perto, apresenta um risco mínimo.
Quando nos apercebemos de que há demasiados indivíduos desta espécie a operar causando dano – e todos os dias somos bombardeados com notícias do género – uma de duas coisas aconteceu:
Não foram controlados.
Foram controlados por gente que integra uma das espécies mencionadas.
31/07/2013
Algumas considerações para o escopo do bom terrorista
O facto de nunca me ter prendido à ideia de pertencer a um tipo exemplar ou de ser um tipo como os outros, deve ter cavado alguns abismos entre os tipos exemplares e os tipos como os outros e eu próprio. Deve. Nunca foi coisa a que prestasse muita atenção. Apenas a necessária para não fazer o óbvio, o que é pouco.
Ainda assim apercebo-me de que os meus padrões parecem estranhos a muita gente. Estranhos apenas porque não se enquadram no que deveria ser. Que talvez seja essa a única estranheza possível, grande coisa!
Não tiro disto particular gozo. Talvez pudesse tirar, à custa do rompimento de algumas relações menos interessantes.
O facto de nunca me ter prendido à ideia de pertencer a um tipo exemplar ou de ser um tipo como os outros, deve ter cavado alguns abismos entre os tipos exemplares e os tipos como os outros e eu próprio. Deve. Nunca foi coisa a que prestasse muita atenção. Apenas a necessária para não fazer o óbvio, o que é pouco.
Ainda assim apercebo-me de que os meus padrões parecem estranhos a muita gente. Estranhos apenas porque não se enquadram no que deveria ser. Que talvez seja essa a única estranheza possível, grande coisa!
Não tiro disto particular gozo. Talvez pudesse tirar, à custa do rompimento de algumas relações menos interessantes.
29/07/2013
Desorientação
A ser verdade o que se diz que disse o maquinista e a dizê-lo ele com convicção – que não sabia onde se encontrava quando se lhe deparou a curva – isso não me espanta.
Passa-se hoje por demasiada gente que tem esse tipo de brancas e que as tem cada vez com maior frequência.
Talvez seja legítimo perguntar se essas coisas se diagnosticam (se despistam) sem a ajuda do paciente.
Noutro plano, os espanhóis continuam a aproveitar troços de estrada com raios de curvatura e trainéis que não lembram ao diabo para fazer auto-estradas.
E troços de ferrovia antiga para fazerem passar a alta-velocidade.
É lá com eles.
A ser verdade o que se diz que disse o maquinista e a dizê-lo ele com convicção – que não sabia onde se encontrava quando se lhe deparou a curva – isso não me espanta.
Passa-se hoje por demasiada gente que tem esse tipo de brancas e que as tem cada vez com maior frequência.
Talvez seja legítimo perguntar se essas coisas se diagnosticam (se despistam) sem a ajuda do paciente.
Noutro plano, os espanhóis continuam a aproveitar troços de estrada com raios de curvatura e trainéis que não lembram ao diabo para fazer auto-estradas.
E troços de ferrovia antiga para fazerem passar a alta-velocidade.
É lá com eles.
A Europa connosco

A alternativa que o PS propõe é a recuperação do slogan “A Europa connosco”, pós-PREC.
Lê-se no documento que o PS publicou como sendo o rol das suas propostas para o futuro e ouve-se na boca de alguns notáveis, como é o caso de António Costa (na Quadratura do Círculo emitida na SICN a 18 de Julho).
Costa mais uma vez descobriu a pólvora e argumenta assim (citando eu de memória): “Se Lisboa paga cerca de 50% dos impostos do país (não sei com que dados e extrapolações o afirma, mas isso é outra história), fá-lo por ser a capital (?!) [...]”.
A ideia geral é a de que Lisboa não sustenta os recônditos lugares habitados do país onde a produção de riqueza é mínima. Lisboa é antes uma parte do todo nacional como as partes recônditas e habitadas o são.
Disse ainda que os países contribuintes líquidos para o nivelamento europeu são os que comprovadamente mais ganham ao pagarem (também aqui não se sabe nem se percebe como se chega a essa conclusão, mas há uns estudos – segundo Costa).
Lá está a ideia que foi propagada em devido tempo de uma Europa na qual as nossas contas haveriam de ser pagas pelos outros, como parte recôndita, habitada e pouco produtiva do todo.
Esquece-se Costa de duas coisas: essa Europa nunca existiu e provavelmente não existirá, apesar de uns ímpetos ajudistas que não foram nunca o reflexo de uma unidade social, como se vê bem nos dias que correm.
Lisboa pagará as contas dos outros porque se trata de facto de um todo nacional pelo qual Lisboa por, na argumentação de Costa, ser a capital, tem a honra, a responsabilidade, a obrigação de zelar. Poderíamos dizer o mesmo (com excepção de ser cabeça de nação) de todos os pontos em que a contribuição para a riqueza nacional está acima da média. A nação existe e é coesa. Tem-no sido pelos últimos oitocentos e muitos anos.
Há ainda um pequeno problema nesta argumentação – é a parte em que tem se explicar aos tais contribuintes líquidos que têm tudo a ganhar e nada a perder em continuarem a sê-lo. É que por vezes cada um usa o direito de só ouvir falar de coisas que acha que lhe interessam.
cartaz de propaganda eleitoral do PS em 1976 encontrado aqui.

A alternativa que o PS propõe é a recuperação do slogan “A Europa connosco”, pós-PREC.
Lê-se no documento que o PS publicou como sendo o rol das suas propostas para o futuro e ouve-se na boca de alguns notáveis, como é o caso de António Costa (na Quadratura do Círculo emitida na SICN a 18 de Julho).
Costa mais uma vez descobriu a pólvora e argumenta assim (citando eu de memória): “Se Lisboa paga cerca de 50% dos impostos do país (não sei com que dados e extrapolações o afirma, mas isso é outra história), fá-lo por ser a capital (?!) [...]”.
A ideia geral é a de que Lisboa não sustenta os recônditos lugares habitados do país onde a produção de riqueza é mínima. Lisboa é antes uma parte do todo nacional como as partes recônditas e habitadas o são.
Disse ainda que os países contribuintes líquidos para o nivelamento europeu são os que comprovadamente mais ganham ao pagarem (também aqui não se sabe nem se percebe como se chega a essa conclusão, mas há uns estudos – segundo Costa).
Lá está a ideia que foi propagada em devido tempo de uma Europa na qual as nossas contas haveriam de ser pagas pelos outros, como parte recôndita, habitada e pouco produtiva do todo.
Esquece-se Costa de duas coisas: essa Europa nunca existiu e provavelmente não existirá, apesar de uns ímpetos ajudistas que não foram nunca o reflexo de uma unidade social, como se vê bem nos dias que correm.
Lisboa pagará as contas dos outros porque se trata de facto de um todo nacional pelo qual Lisboa por, na argumentação de Costa, ser a capital, tem a honra, a responsabilidade, a obrigação de zelar. Poderíamos dizer o mesmo (com excepção de ser cabeça de nação) de todos os pontos em que a contribuição para a riqueza nacional está acima da média. A nação existe e é coesa. Tem-no sido pelos últimos oitocentos e muitos anos.
Há ainda um pequeno problema nesta argumentação – é a parte em que tem se explicar aos tais contribuintes líquidos que têm tudo a ganhar e nada a perder em continuarem a sê-lo. É que por vezes cada um usa o direito de só ouvir falar de coisas que acha que lhe interessam.
cartaz de propaganda eleitoral do PS em 1976 encontrado aqui.
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