18/08/2016

Capecit

Pelo perfume das manhãs enevoadas chegou-me notícia de que o perfil que eu tinha deitado se encontra afinal aprumado.
Boa notícia no meio dos espinhos tragáveis. Dos figos da Índia.




17/08/2016

Mato e modas

Ligou-me hoje o homem a quem em Fevereiro do ano passado encarreguei de limpar o mato de parte de uma propriedade.
Deve ter pensado que agora era muito oportuno.
Perdido na tradução

Tenho vindo a aperceber-me da enorme perda de significados que ocorre na segunda tradução dos sonhos.
A primeira tradução, da recordação sonhada para o registo de som, já é naturalmente geradora de perdas consideráveis. E dessas eu tinha consciência.
Do que não tinha era da dificuldade de interpretar a linguagem em estado de sonolência para a reduzir a escrito, no segundo passo.
Tenho encontrado gravações que carecem de um exegeta a meu lado.

16/08/2016

Maria da Fonte

Dá a entender então o primeiro-ministro que o cadastro rústico não avançou a Norte por medo da repetição da Maria da Fonte.
Medo que ele terá decerto partilhado quando desempenhou cargos ministeriais.
Medo que terá decerto partilhado o ministro da Agricultura em anteriores governos, homem que constatou que séculos de História não garantiram o cadastro rústico e que essa constatação só por si é justificativa da inacção.
É isto que temos.
Mas já não é mau que se fale do cadastro rústico e da incontornável discriminação norte-sul.

Foi possível no entanto fazê-lo, sem exemplo, no concelho de Mogadouro.


trecho da Secção I da freguesia de Azinhoso, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança
Um dia como o de hoje



Há exactos treze anos, o calor também amainou.
Há exactos treze anos, os incêndios também se foram extinguindo.
Há exactos treze anos, deu-me para isto.
Continuo sem saber se alvejava tão longe no tempo.

14/08/2016

Por Santa Maria e um dia menos, dois anos depois


imagem do Google Street View (manipulada)

Os ajudantes de agrimensor encontraram o Castelo vazio.
Algumas décadas decorridas, afinal.

11/08/2016

Fogo

Tenho muita dificuldade em lidar com gente que nega as evidências.
Sendo que a negação das evidências é um esteio fundamental do que se designa por politicamente correcto.
Ora no que diz respeito aos incêndios, há uma franja considerável de gente que nega a existência do incendiarismo. Nem com capturas em flagrante delito que se diz que ocorreram nem com confissões de delinquentes que se diz que tiveram lugar.
Nem com a constatação de que os fogos surgem de noite, alegando nalguns casos que a notícia do fogo é diferida no tempo em relação ao seu início, o que é óbvio.
O que não é óbvio é que essa dilação no tempo seja de horas. Que um fogo detectado de madrugada tenha tido início num vidro partido que fez de lupa à luz do dia.
Essa gente não sei a que acode. Mas que faz propaganda lá isso faz.

10/08/2016

Uma nota a reter


da página do Cadastro

Fiz aqui já por duas vezes*, pelo menos, referência à insustentável situação do cadastro geométrico da propriedade rústica. Cuja inexistência a Norte (grosso modo) pressupõe a ausência de cobrança de IMI, o que torna este imposto suspeito de discriminação e consequente inconstitucionalidade.
Vem agora o Presidente da República, honra lhe seja, e a propósito da aparente impossibilidade de imputar a propriedade de um terreno a alguém, de forma a responsabilizá-lo pela sua manutenção, referir a tal ausência de cadastro.
Fê-lo hoje, que eu desse por isso, em duas ocasiões distintas.
Aguardemos os desenvolvimentos. Retendo o que foi dito.

*(1 e 2)
O desgoverno

Um responsável do governo dizia ontem que quanto aos incendiários (presumo que já condenados e entretanto libertados), a GNR se encarregaria de os vigiar.
Se foi com espírito de quem conta uma anedota, calculo que ninguém se tenha rido.

09/08/2016

Arriba


imagem da SIC

Das coisinhas piores que há é a perquisição dos jornalistas a todos aqueles que eles pretendem estar a desafiar o que eles acham que deve ser ou o que é politicamente correcto.
Voltaram agora aos sopés das arribas para puxar as orelhas dos que por ali estão à sombra ou ao sol.
Não lhes ocorre que muitíssimo mais perigoso do que um mês inteiro em baixo de uma falésia é a viagem de carro até ao Algarve. Para os que viajam do Norte, do Centro e mesmo do Sul.
É claro que não lhes ocorre.

08/08/2016

No país do atraso mental

Nestes verões a sério, desde que há ene cadeias de televisão e facilidade de recolha de imagens, o país arde. E arde muito.
O que, no entanto, mais se torna difícil de suportar é o chorrilho de disparates que responsáveis e populares debitam nestes dias.
Continua a haver quem queira ladrilhar a floresta.
No país do atraso mental

A Autoridade Tributária e Aduaneira envia um reembolso de IRS respeitante a um contribuinte falecido, para o cabeça-de-casal da herança.
Só que o respectico cheque vem em nome do contribuinte falecido.
Não há gente racional em lado nenhum.

07/08/2016

O blogger repórter



Incêndio entre Olelas e Almargem do Bispo.

06/08/2016

A Ponte

E já lá vão cinquenta anos.
E uma distância ainda maior no que respeita a competência.


in Magazine da Morrison-Knudsen Company, Inc., Novembro de 1964
Ligeireza

Ainda sobre o erro de percurso da Volta na etapa de ontem, estranhei a ligeireza com que o assunto foi abordado pela organização e pelo seu director, dizendo que inclusive contava com a presença do público para demarcar o percurso.
Não cortar os acessos laterais ao percurso da volta e permitir o erro no percurso é naturalmente lançar os ciclistas e a caravana numa estrada aberta ao trânsito. Não ter havido um acidente de proporções alarmantes foi uma sorte. Que a ligeireza com que o assunto foi tratado dá a entender que não se percebeu.
Se não se percebeu, não se perceberá.

05/08/2016

Volta

Na Volta a Portugal, mais uns pés pelas mãos.
Ou o contrário.
Pode uma organização destas ter a sua complexidade. O que não pode é permitir erros de percurso, deixando em aberto opções nas encruzilhadas.
Ainda que a sinalização lá esteja. Esta é também tão miúda que pouco releva.
Quanto ao arrazoado que diz que os ciclistas têm obrigação de conhecer o percurso, uma boa gargalhada.