18/03/2022

Notícias do manicómio

O infantilismo e a irracionalidade chegam a um ápice quando se entrevêem cursos patrocinados pelo Estado que pretendem ensinar as pessoas a não acreditar em boatos, desinformação, propaganda. Hoje fazem disso um bolo com a importada designação de “fake news”, papagueado pelos habituais:

17/03/2022

O rali

Parecia-me estranho que quisessem abalar para o rali sem terem nem horários de comboios nem mapa dos troços nem horários de passagem nem nada. Iam apenas. Talvez convencidos que juntando-se a outros – Maria vai com as outras – chegavam lá. Isto era tarde e provavelmente já nem sequer haveria comboio para aquela zona de Arganil.
Eu sei que fomos andando a pé e que provavelmente apanhámos um comboio para a Cruz da Pedra ou coisa que o valha. Ou então antes disso fomos para uma espécie de Las Vegas onde os prostíbulos competiam uns com os outros e com as casas de jogo.
Eu desencontrei-me deles ou perdi-me deles e, num dos sítios, uma menina deu-me um cartão que dava direito a uma bebida. Pois foi com esse que entrei, desci umas escadas profundas, e lá no fundo estavam eles, no fundo da sala. Em duas mesas, a discutir e a comer. E a beber.
Eu só quis uma tosta. Não quis bebida, só quis uma tosta. Pois ficámos na conversa. Eu depois achei que era tarde, que já não iam a lado nenhum e que o melhor era ir-me embora.
E eles foram.
Parece que uns já tinham ido e que outros deixaram passar o horário do comboio e foram no outro dia. Eu sei que o meu irmão quando regressou disse que sim, que tinha ido ver o rali, que sim, que tinha tido sorte que o troço passava mesmo junto à estação, o que eu sabia, que tinha visto no mapa, e que depois tinham andado pelo menos seis quilómetros – eu parecia-me que era menos no mapa – para noroeste e depois eu disse: então depois vieram... voltaram para trás e vieram sair aqui...
Ele disse não, depois fomos... andámos para oeste, fomos sair a Coimbra, fomos sair aqui – dizia-me ele e era a Coimbra. E depois? Ah, depois fiquei lá no outro dia o dia inteiro a dormir, nem voltei para casa. Quando eles chegaram, esse dia passei lá. E foi mais ao menos isto. É uma história um bocado estranha.

16/03/2022

Noção do tempo

Uma ocorrência que se repete é a do anúncio tardio de um tsunami pelas caras falantes dos canais de televisão.
Um sismo ocorreu há horas junto de uma qualquer costa e ainda repetem que há alerta de tal.
A noção do tempo decorrido não existe para esta gente.
Penas

A ser verdade que há gente a furtar contadores de gás (!), torna-se imperativo agravar as penas por tais furtos, pela gravidade das consequências, tal como em tempos aqui referi que furtar uma ambulância deve ter uma pena muito mais grave do que furtar um outro veículo.
É mero bom senso.
VUCIF

As televisões dispõem de um plantel de miúdos naturalmente sem experiência de vida e também sem capacidade de raciocínio, que mandam para a linha da frente no intuito de não se calarem durante largos intervalos de tempo, tempo esse em que têm oportunidade de produzir os mais sinceros dislates como o que ouvi há pouco – veículo urbano de combate a incêndios florestais.

14/03/2022

Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca

Já lá vai o tempo em que tive alguma razão de queixa do que por lá se passou.
Por ora, só tenho elogios a toda a gente com quem por lá tratei – grandes profissionais.



Relembrando a valsa que uma familiar minha volteou com o patrono do dito, no seu consultório, vidas atrás.

11/03/2022

Um deserto

Na CNN Portugal, as caras falantes acham que as bombas de fragmentação e as bombas termobáricas são a mesmíssima coisa.
Ninguém os corrige.

Adenda às 20:15: alguém afinal corrigiu o disparate.
Pombas da paz



Tenho algum preconceito a propósito das pombas da paz, aquelas pessoas que julgam poder obter a paz através de rogos e de boas palavras.
Quantos casos há na História que sustentem a razoabilidade de tal julgamento?

ilustração de Teetaweepo na Wikipedia

10/03/2022

Turismo

A secretária de Estado do Turismo disse na CNN Portugal que estava a acompanhar(!) diversas situações respeitantes à guerra e que Portugal não tenciona aproveitar-se da situação para tirar proveito económico pelo desvio de eventos das partes em guerra para o território nacional, mas que tinha todas as condições para albergar actividades que não pudessem ter lugar nos locais para onde estavam programadas.
É nisto que dá entrevistar as pessoas "certas" na altura "certa".
Portugal, 2006 PUB

09/03/2022

Ambientes

Não é só o cheiro a cominhos que decide uma tasca como deve ser.
Há a necessidade de ter uns armários de madeira com portas de vidro, um balcão de pedra e um levíssimo cheiro a alho.
Apercebi-me disso, do levíssimo cheiro a alho, agora mesmo.
Aqui fica para memória futura.
CGTP-IN

A líder do sindicato-mor pretende que “não sejam os mesmos a pagar as consequências de uma guerra que não provocaram”.
Está decerto à espera que sejam os russos a pagar em Portugal as consequências da guerra.
Não consigo alcançar o raciocínio desta senhora.

08/03/2022

Coisas que não imaginava ouvir ou ler

«[...] A opção de classe do PCP é oposta à das forças políticas que governam a Rússia [...]»
Jerónimo de Sousa

06/03/2022

Especialidades

"Uma guerra bélica" - disse uma especialista de qualquer coisa na SIC Notícias hoje de manhã.
Covid-19

Não se passou nem se passa nada, é tudo um boato.
Dia P (umbiguista)

Hoje é um dia como os outros, nada se comemora por aqui.
No entanto é uma data-chave, uma data de uma superação simbólica.
Ultrapassei uma meta que desejaria estivesse ainda muito longe.

04/03/2022

A coluna russa e o jornalismo (II)

Referi aqui o facto de por cá o jornalismo papaguear a existência de uma extensa coluna russa que estava a caminho de Quieve. E estava. E estava. E estava.
Nem uma só alma se interrogou sobre o estranho progresso da dita, que nunca mais chegava.
Houve em outras paragens quem se interrogasse. Faz uma certa diferença algum jornalismo.