03/02/2024
31/01/2024
29/01/2024
27/01/2024
Retiro espiritual
Que a um ateu chegue a hipótese de um retiro espiritual por via de algo tão material como um incêndio não é grande espanto.
Que a um ateu faça sentido essa ideia também não me parece extraordinário. Não é necessário ser crente, creio, para ter a necessidade de um certo afastamento das coisas seculares.
Pois hoje, por via de um alerta de incêndio apercebi-me da existência de mais um mosteiro em local ermo que admite visitantes que se proponham a um retiro.
Já fiz os meus retiros - o último no deserto de Almeria – mas nunca em ambiente monástico. Retiros pouco exigentes, com acesso intermitente a comunicações.
Não sei se ousarei transpor as portas de um mosteiro e ali permanecer por uns dias, sem orações.
Que a um ateu chegue a hipótese de um retiro espiritual por via de algo tão material como um incêndio não é grande espanto.
Que a um ateu faça sentido essa ideia também não me parece extraordinário. Não é necessário ser crente, creio, para ter a necessidade de um certo afastamento das coisas seculares.
Pois hoje, por via de um alerta de incêndio apercebi-me da existência de mais um mosteiro em local ermo que admite visitantes que se proponham a um retiro.
Já fiz os meus retiros - o último no deserto de Almeria – mas nunca em ambiente monástico. Retiros pouco exigentes, com acesso intermitente a comunicações.
Não sei se ousarei transpor as portas de um mosteiro e ali permanecer por uns dias, sem orações.
26/01/2024
22/01/2024
Jornalismo
Queixam-se os jornalistas, no seu congresso, das condições de trabalho.
Para alem das condições contratuais, pelo menos a um ouvi referir a ausência de editores, revisores, que orientem e revejam o trabalho dos principiantes.
A ser verdade, é coisa que está bem patente na quantidade de dislates que se lêem e ouvem diariamente.
No velho sistema de mestre e aprendiz, que deveria servir de exemplo para todas ou quase todas as profissões, a ignorância das coisas e a ausência de memória dos mais novos são colmatadas pela voz do veterano, que ensina e encaminha.
Poder-se-á dizer que esse é o papel desempenhado hoje pelas instituições de ensino superior.
Creio, pelo panorama que aqui menciono amiúde, que é curto. É muito curto.
Queixam-se os jornalistas, no seu congresso, das condições de trabalho.
Para alem das condições contratuais, pelo menos a um ouvi referir a ausência de editores, revisores, que orientem e revejam o trabalho dos principiantes.
A ser verdade, é coisa que está bem patente na quantidade de dislates que se lêem e ouvem diariamente.
No velho sistema de mestre e aprendiz, que deveria servir de exemplo para todas ou quase todas as profissões, a ignorância das coisas e a ausência de memória dos mais novos são colmatadas pela voz do veterano, que ensina e encaminha.
Poder-se-á dizer que esse é o papel desempenhado hoje pelas instituições de ensino superior.
Creio, pelo panorama que aqui menciono amiúde, que é curto. É muito curto.
21/01/2024
Os discursos de Santana Lopes
Já há alguns anos que não ouvia um enfático discurso de Pedro Santana Lopes.
Já há alguns anos que não ouvia um enfático discurso de Pedro Santana Lopes.
18/01/2024
Alienação
Uma das alterações mentais que reporto e que, subsumindo, julgo afectar uma certa franja dos habitantes da ecúmena é algo que se assemelha metaforicamente a uma projecção no pára-brisas.
Suponho que seja numa projecção tal que por vezes procuro os botões de fast rewind e de acesso ao Google.
Serviria o primeiro para recuar nas minhas memórias até um dado ponto ou mesmo para rever uma cena que tivesse acabado de me passar à frente dos olhos; o segundo para pesquisar nas mesmas memórias um dado acontecimento, um dado aroma, uma dada paisagem.
É este um dos efeitos que o uso continuado de máquinas electrónicas me foi causando. Calculo, como disse atrás, que se trate de uma epidemia.
Uma das alterações mentais que reporto e que, subsumindo, julgo afectar uma certa franja dos habitantes da ecúmena é algo que se assemelha metaforicamente a uma projecção no pára-brisas.
Suponho que seja numa projecção tal que por vezes procuro os botões de fast rewind e de acesso ao Google.
Serviria o primeiro para recuar nas minhas memórias até um dado ponto ou mesmo para rever uma cena que tivesse acabado de me passar à frente dos olhos; o segundo para pesquisar nas mesmas memórias um dado acontecimento, um dado aroma, uma dada paisagem.
É este um dos efeitos que o uso continuado de máquinas electrónicas me foi causando. Calculo, como disse atrás, que se trate de uma epidemia.
16/01/2024
15/01/2024
Cabeça de lista
Como andei com o cabeça de lista ao colo e não foi em sentido figurado, mas por ser rebento de velhos amigos, quase afilhado, é que vi logo que era disparate aquela data de nascimento na biografia.
Não se tratando daquelas senhoras que aldrabam na idade, vê-se logo que é mais uma do excelso jornalismo que temos.
Não hei-de eu estar velho.
Como andei com o cabeça de lista ao colo e não foi em sentido figurado, mas por ser rebento de velhos amigos, quase afilhado, é que vi logo que era disparate aquela data de nascimento na biografia.
Não se tratando daquelas senhoras que aldrabam na idade, vê-se logo que é mais uma do excelso jornalismo que temos.
Não hei-de eu estar velho.
14/01/2024
12/01/2024
Pandemia
Onde se pode constatar que à excepção da época festiva 2020/2021, no primeiro ano da pandemia, todas as outras épocas de Natal e Ano Novo mais recentes tiveram um número de óbitos abaixo do actual.
Se as preocupações sanitárias eram tantas em 2021/2022, qual a razão para não haver sinal de preocupação nestas últimas semanas?
Mera incompetência? Receio da saturação dos simples?
Onde se pode constatar que à excepção da época festiva 2020/2021, no primeiro ano da pandemia, todas as outras épocas de Natal e Ano Novo mais recentes tiveram um número de óbitos abaixo do actual.
Se as preocupações sanitárias eram tantas em 2021/2022, qual a razão para não haver sinal de preocupação nestas últimas semanas?
Mera incompetência? Receio da saturação dos simples?
10/01/2024
Ford da Azambuja
Esta luta dos trabalhadores do grupo Global Media parece uma cópia da dos trabalhadores da Ford na Azambuja.
Conhece-se o desfecho.
Esta luta dos trabalhadores do grupo Global Media parece uma cópia da dos trabalhadores da Ford na Azambuja.
Conhece-se o desfecho.
09/01/2024
A onda de Santo André
Uma das coisas que me deu que fazer em tempos foi datar uma história que ouvira contar em tenra idade: uma onda de grandes dimensões matara vários pescadores na praia da Lagoa de Santo André.
Já bem entrada a era do Google não havia na rede sinal de tal acontecimento. Dei disso notícia.
Era esse caso e o do desastre do Rápido do Algarve, que igualmente guardara de memórias pueris que mais curiosidade me suscitavam. Ambos estavam arredados da memória dos jornais, pois nunca surgiam nas listas de acidentes ocorridos, a propósito de casos semelhantes.
Um texto de Rogério Guinote Mota na revista O Foguete que entretanto encontrei por mero acaso, deu-me a informação que me faltava, completada depois com a leitura dos jornais da época.
Dei então o meu pequeno contributo para a inclusão deste acidente na memória ao trazê-lo para o blogue.
Já em relação à onda de Santo André, só um destes dias um sumário de uma reportagem num canal de televisão (SIC) me deu a pista que me faltava – a data em que ocorrera.
De volta ao Google, lá encontrei depois mais informação. Toda ela publicada muito depois da minha procura inicial. Faz hoje 61 anos que se deu tal tragédia.
Duas gavetas arrumadas na minha memória, uns bons sessenta anos depois.
Uma das coisas que me deu que fazer em tempos foi datar uma história que ouvira contar em tenra idade: uma onda de grandes dimensões matara vários pescadores na praia da Lagoa de Santo André.
Já bem entrada a era do Google não havia na rede sinal de tal acontecimento. Dei disso notícia.
Era esse caso e o do desastre do Rápido do Algarve, que igualmente guardara de memórias pueris que mais curiosidade me suscitavam. Ambos estavam arredados da memória dos jornais, pois nunca surgiam nas listas de acidentes ocorridos, a propósito de casos semelhantes.
Um texto de Rogério Guinote Mota na revista O Foguete que entretanto encontrei por mero acaso, deu-me a informação que me faltava, completada depois com a leitura dos jornais da época.
Dei então o meu pequeno contributo para a inclusão deste acidente na memória ao trazê-lo para o blogue.
Já em relação à onda de Santo André, só um destes dias um sumário de uma reportagem num canal de televisão (SIC) me deu a pista que me faltava – a data em que ocorrera.
De volta ao Google, lá encontrei depois mais informação. Toda ela publicada muito depois da minha procura inicial. Faz hoje 61 anos que se deu tal tragédia.
Duas gavetas arrumadas na minha memória, uns bons sessenta anos depois.
08/01/2024
Os simples na estrada
O simples que se preza cumpre alguns preceitos enquanto circula nas estradas:
Fá-lo sempre pela faixa do meio quando existem três faixas, estando ou não livre a faixa mais à direita.
Trava amiúde nesta faixa, independentemente de ter ou não obstáculos à sua frente.
Raramente usa o pisca-pisca.
E possui em carro antigo uma matrícula nova, sem tracinhos, onde letras e números se encavalitam ao meio.
Já lá vai o tempo do carpélio na chapeleira, do cãozinho de peluche a abanar a cabeça, do terço ou do galhardete pendurado no espelho retrovisor, das almofadas de crochet no banco de trás.
O simples que se preza cumpre alguns preceitos enquanto circula nas estradas:
Fá-lo sempre pela faixa do meio quando existem três faixas, estando ou não livre a faixa mais à direita.
Trava amiúde nesta faixa, independentemente de ter ou não obstáculos à sua frente.
Raramente usa o pisca-pisca.
E possui em carro antigo uma matrícula nova, sem tracinhos, onde letras e números se encavalitam ao meio.
Já lá vai o tempo do carpélio na chapeleira, do cãozinho de peluche a abanar a cabeça, do terço ou do galhardete pendurado no espelho retrovisor, das almofadas de crochet no banco de trás.
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