31/10/2024

Eufemismos

“Zonas urbanas sensíveis” foi o eufemismo arranjado para designar os locais onde a probabilidade de se desrespeitarem a lei e a ordem é maior.
Já li algures que essa designação já não é utilizada, embora figure na lei. Não sei se assim é, mas tanto faz.
O que alguns reivindicam é que não haja distinção no que toca ao policiamento entre essas zonas e os locais onde, pelo contrário, a baderna é desprezável.
É assim o politicamente correcto. Depois dos eufemismos, a licenciosidade. Para sermos “todes enguais”.
Sugiro que se acabe também com os conceitos de crime e de criminoso. Antecipando assim o dia em que a teoria de tudo aplicada ao comportamento humano elimine a noção de livre arbítrio.

30/10/2024

DANA

E explicar aos jornalistas, aos tais que se dizem necessários para enquadrar as notícias, que DANA não é o nome de baptismo da tempestade que assolou o levante espanhol?

28/10/2024

Hill Street

Há mais de cinquenta anos que não me demorava por longo tempo numa esquadra de polícia.
Ontem, em razão de um forte inconveniente sofrido por próximo, estive sentado por bem mais de uma hora numa das mais movimentadas esquadras da cidade.
Nessa delonga tive a oportunidade única de assistir em exclusivo a um briefing de início de turno.
Só me vinham à memória os célebres briefings de Hill Street.
"Hey, let's be careful out there."

27/10/2024

Portugal, 2013

Ironia

Só por ironia e por chamada de atenção se pode recorrer a uma prevista proibição de uso de isqueiro.
A mesma ironia que determina que alguém fique proibido de contactar outrem quando o contacto é do interesse de ambos.
É dar uso a disposições legais que se referem ao tempo em que as galinhas tinham dentes.
São mais notícias do manicómio.

25/10/2024

Uma ténue linha

O que é lamentável neste pequeno rectângulo à beira-mar é que a contradição do politicamente correcto esteja a cargo de um punhado de grunhos, por demissão dos capazes instalados que dele divergem.
Como tal, a contradição disparatada o que faz é dar mais trunfos aos negacionistas da realidade, uma vez que o politicamente correcto se baseia num mundo inexistente, numa utopia de caminhos sem pedras, atapetados de rosas ou de cravos vermelhos.
Viveremos assim na ténue linha que separa a razão do manicómio. Até que...

24/10/2024

Mentiras

A ser verdade o que se diz, a tal e tradicional infidelidade declarativa dos órgãos policiais vem mais uma vez à tona, com graves consequências.
Um carro roubado1, uma arma branca empunhada...

1Correcção: na verdade, da boca de um polícia não ouvi falar em carro roubado
O sete e o setenta

Andando anos a fio a sete, há a tendência para se passar ao setenta assim do nada.
A falta de autoridade do Estado, revelada em inúmeros aspectos, dá inevitavelmente lugar ao seu abuso em casos pontuais.
É a chamada ira dos mansos.
Não há Estado que prevaleça sem se fazer respeitar, sem evitar ser posto em causa a cada passo por tibieza.

22/10/2024

Sem noção

Uma das afirmações mais extraordinárias da tropa politicamente correcta é a de que os imigrantes vêm para suprir o défice demográfico.

21/10/2024

Marqueteiros

É difícil encontrar programas de televisão mais ordinários do que os que tratam de marketing.
São sempre uma boa base para se avaliar a qualidade intelectual do dito público alvo.

19/10/2024

Palestina

Interrogo-me sobre a validade de ouvir, uma atrás da outra, de um lado e do outro, opiniões totalmente enviesadas sobre a guerra que lá se trava.
Às vezes parece-me que fico à espera do primeiro ilogismo para deixar de prestar atenção.
A todos e a todas

Sapateiros e sapateiras
Cavalos e cavalas
Postos e postas
Linhos e linhas
Lagartos e lagartas
Copos e copas
Ventos e ventas
Tralhos e tralhas
Festos e festas
Colos e colas
Vinhos e vinhas
Bolos e bolas
Rolos e rolas
Cigarros e cigarras
Canos e canas
Campos e campas
Solos e solas
Limos e limas
Calos e calas
Solos e solas
Bicos e bicas
Putos e putas


Bom dia!

SG, inéditos, 2024

17/10/2024

Excelso jornalismo

Decerto as teria numa cripta.



Diz que é preciso uma licenciatura para se ser jornalista...

16/10/2024

Ai que susto!

Vivemos num tempo de susto. De alertas laranjas e amarelos.
De gente sem fibra que com tudo se assusta.
De gente para a qual tudo é motivo de alarme e de temor.
De gente a quem afinal não se explicou que não há nada de novo debaixo do sol e assim com tudo se surpreende e tudo teme. Coisa sempre explorada, creio que com proveito, pela imprensa sensacionalista.
Ouvi, num canal de televisão por estes dias, que algures houve gente que não dormiu com medo de uma trovoada!