25/07/2025

Irracionais

O facto de estarmos dependentes de uma série de animais irracionais gera situações como a da aplicação SNS24: foi actualizada e pelo vistos mal testada. Resultado: não funciona.

24/07/2025

EXIF*

Esta coisa de querer identificar o local quase exacto de cada fotografia começou para mim com as máquinas digitais.
Às fotografias em papel atribuía-lhes apenas o nome da localidade ou da estrada e o mês e o ano. Foi assim durante mais de 30 anos.
Quando a máquina que comprei desatou a carimbar invisivelmente a data e a hora em cada foto, desatei eu a querer ser mais preciso na localização. Com o Google Street View consegui anos depois recuperar a localização aproximada das “chapas” que ia batendo. Foi e ainda é, que não está concluído, um passatempo desafiante.
Recordo-me particularmente desta fachada em Alicante da qual tinha apenas a certeza de que haveria de se situar em certa zona da cidade, a hora a que fora flagrada e as sombras bem recortadas que haveriam de ser a chave para o alinhamento da rua, dado o dia do ano.
Se não foi a que mais trabalho me deu, foi decerto a que mais gozo me deu a descobrir.
Ando por estes dias às voltas com fotografias de há quase vinte anos a fim de lhes dar uma morada e um número de polícia. Confiando na memória e nos atributos da máquina que são só a hora e o dia.
Agora que as máquinas mais modernas e os telefones quase todos gravam a localização e outros parâmetros. Ainda que por vezes o façam com um erro considerável.



*EXchangeable Image File format é o nome que dão aos metadados das fotografias digitais – coordenadas esféricas, data, hora, altitude, etc.

19/07/2025

Antigamente não havia estes calores



Não haverá muita gente em Almeria que se lembre de tal.
E a que há hoje, em regra não se lembra do que sucedeu há meia-dúzia de anos.
A ausência de memória é o melhor pasto para a imposição de ideias feitas.

Não ponho em causa que o mundo vá aquecendo. Coisa inevitável quando a curva demográfica (a que ninguém liga) dispara e quando as actividades humanas libertam mais energia sob a forma de calor.
O que ponho sempre em causa é a disparatada propaganda que esta ausência de memória favorece e que diz a cada passo que nunca se viu ou sentiu nada assim.
Inclusão ou deixar entrar

Quando vejo os acérrimos defensores da inclusão acrítica e incondicional, ocorre-me o caso de Hillsborough onde deixar entrar gente que se debatia por um lugar no estádio deu azo a que morressem esmagadas quase 100 pessoas.
É no que dá muitas vezes a falta de firmeza para excluir, impedir.
É a velha história do bote salva-vidas. Só as salva até ao limite da carga. Daí para a frente morrem todos se se insistir em incluir a bordo mais um e mais outro.
Tais defensores não aceitam as leis da Física.

17/07/2025

Comentadores

Insisto. Apreciar os ilogismos dos comentadores de ciclismo do Eurosport é todo um programa.
Como já referi anteriormente é particularmente curioso atentar aos axiomas que enunciam e à sua inevitável negação no minuto subsequente.
Não está em causa que não conheçam os ciclistas e que não tenham uma ideia das suas capacidades (à excepção de João Almeida, que é sobrestimado). Deviam ater-se a comentários sobre o espectáculo que está a ser transmitido e evitar raciocínios e considerações tácticas que são regra geral disparatadas, sem base e desmentidas no tal minuto seguinte.

15/07/2025

TAP



Alguns parágrafos muito simplistas sobre a venda da TAP:

Ou se vende a TAP (100%) ou não se toca nela.
Não consigo vislumbrar um só argumento que justifique a venda parcial, a não ser o costumeiro medinho de tomar medidas drásticas. As tais meias-tintas. Meias-tintas não são mais do que o arrastar de um problema. Mas é muito à portuguesa.
E, aos habituais tontinhos que tomam decisões, é preciso lembrar-lhes que quando se vende um bem deixa de se ter controle sobre ele. É uma lapalissada que esta tropa precisa sempre de ouvir.

Prefiro que a TAP se mantenha nas mãos do Estado desde que preste um serviço importante ao país. E que claramente se distinga entre a obrigação de serviço público nos voos domésticos para os arquipélagos e a operação comercial que terá que ser superavitária.

14/07/2025

"Lorem ipsum dolor sit amet"

Uma das minhas embirrações de estimação é a palha politica e marqueteiramente correcta que as instituições metem nas suas respostas.
Compreendemos a sua insatisfação...
Trabalhamos para atender os nossos clientes...
Os nossos valores são...
Posicionamo-nos para...

Arre, que é demais!
O tempo e o dinheiro que se pouparia sendo curto, grosso, explicativo e conciso.

12/07/2025

O Estado paga



Até que ponto devemos indemnizar os broncos por serem broncos?
A notícia hoje num canal de televisão são as inundações constantes em alguns locais de Altura* onde nunca deveria ter sido autorizada a construção.
Os simples ou foram construir em leito de cheia ou compraram casa em leito de cheia. Não foram capazes de perceber isso quando a reverendíssima câmara municipal deixou que se implantassem onde não deveriam as ditas habitações.
A estupidez e a cupidez andam sempre em disputa em casos tais. E eu inclino-me sempre mais para a estupidez como causa maior destes dislates. Mas isso sou eu.
Agora o Estado que resolva. Que pague. Que dê aos broncos a indemnização que pretendem, em forma de obra pública ou noutra qualquer.
É no que dá vivermos entre broncos que têm capacidade decisória.

* ao que disseram locais à reportagem do dito canal, a zona que alaga é justamente a da antiga lagoa entretanto drenada (Alagoa)
Carrasqueira, 2013

11/07/2025

Ilcópteros



O meio é escolhido devido à patologia do doente. E não por ser este helicóptero ou aquele. Isso pouco importa.” – diz alguém que é suposto saber de socorro urgente a doentes ou sinistrados.
A esta excelente figura que sabe bem que os helicópteros não são todos iguais escapa porém que existem hoje restrições de toda a sorte, umas mais ou outras menos razoáveis, à aterragem de helicópteros em pátios hospitalares e que nem todos os tipos daquelas aeronaves, pelas suas dimensões e características, podem aterrar em suposta segurança num hospital.
Isto denota a falta de noção das proporções que é típica de grande parte dos responsáveis por serviços do Estado.
No tempo do antigo regime em que estive enclausurado no Hospital Escolar de Lisboa presenciei umas quantas vezes com interesse e entusiasmo infantil a aterragem dos célebres Alouette III. Não faço ideia se cumpriam ou não as normas da época mas que aterravam, aterravam.
E nesse tempo os jornalistas não os baptizavam de ilcópteros.
Contrato

Se o Baltasar assina um contrato com o Belchior que no seu clausulado prevê que a denúncia por qualquer das partes, sem justa causa, origina uma indemnização de tal valor e se o Baltasar não está já a ponto de cumprir o assinado, tem bom remédio: paga o valor acordado e vai à sua vida. É um não-assunto.

10/07/2025

Broncos

Estava aqui um indivíduo a dar conta do disparate que ouviu de alguém a quem por irónica salvaguarda gabou a inteligência e a competência específica num determinado campo. Terá o digníssimo e reverendíssimo bronco afirmado a propósito de um qualquer aparato: “se dá para falar, também dá para escutar”.
Lx, Rua José Gomes Ferreira, 2007