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Desce-se ou sobe-se da santa terrinha e logo a vergonha de mostrar que se sabe de galinhas e de farelos, enquista e trava a interpretação das coisas simples.
Isto não tinha, não tem, nada de singular.
Era um cacho de uvas. Sei lá de onde vieram, que tratos levaram. Eram uvas. E não eram grande coisa.
Para ali ficaram.
Eram visíveis a olho nu.
Por isso, um destes dias, o olhar fixou-se no cacho. Umas quantas uvas mirradas e encarquilhadas. Mas lá ficou.
Outros dias se passaram e mais uvas mirraram.
Até que me picou a mosca. Xaver as passas. Provei uma. Belíssima. Outra. Belíssima também.
Era a hora de alguém me pôr a maçã na boca aberta e servir. Bácoro dentro de um cesto.
Então mas estas uvas não ganham bolores, não azedam como as outras? Pelos vistos, não.
Fugiu-me a memória para os caniços. Para os pares de cachos atados, à espera da raposa ou de engelharem.
Afinal também as uvas de supermercado passam a passas. As uvas fabricam-se nos esconsos dos supermercados, um pouco à frente do leite e antes das salsichas, toda a gente o sabe.
Santa ignorância. Santa mas nada rústica, é urbana ou suburbana, como quiserem.


