Excursão de finalistasLogo eu, nada dado a excursões de finalistas.
Logo eu, nada dado a militâncias e a gestos simbólicos.
Posso descrever-vos, quase de fio a pavio, a estação de metro no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha.
Os jornais tinham trazido a reportagem. As televisões não se tinham calado. A acusação que lhe fizeram era a de ter com esse gesto simbolizado a superioridade branca, ao pontapé às bolas em terra de pretos.
Outros lembraram que meses antes já ele tinha feito o mesmo, chegando creio que apenas às 60. Um reincidente, é claro.
E lá fomos, ver o local do crime.
Posso descrever-vos, quase de fio a pavio, a estação de metro no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha. Mas não o faço.
Apenas digo que a caixa preta era um negativo no betão da estrutura azul eléctrica, pintado de preto, aí à altura de uma tabela de basquetebol. Teria aí metro e meio de largo por um de altura.
E o sítio de onde os remates foram feitos estava apenas assinalado pela posição de uma máquina de vender qualquer coisa, dessas que há nas gares de metro do Quénia.
Depois disso, era suposto irmos ver um modelo ao LNEC lá do sítio. Um modelo que fazia o mesmo tipo de remates para uma caixa idêntica, em condições semelhantes.
Cantaram-se, sim, canções estudantis.
Posso descrever-vos, quase de fio a pavio, a estação de metro no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha.
Não o faço porque uma mulher parecida com a Tónia Carrero enquanto nova, me atirou para os pés os marcadores vermelho e preto que lhe devolvera.
Fê-lo com um ar insolente e divertido que não me incomodou. Mas impede-me de descrever a estação de metro lá no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha.
De fio a pavio.