14/07/2006

Dias na História

Esta sensação de que o dia 14 de Julho de 2006 é mais um marco.
Com sinais vindos de várias partes do Mundo ao mesmo tempo.
Não começou nada, não acabou nada, mas uma linha qualquer foi ultrapassada algures.
Cá estaremos para ver. Ou não.

A estrada de Damasco não está para conversões.
Carimbadela

Muito gostava eu de saber o que significa este carimbo:



Será do Totta?
A estrada de Damasco


Gen. Moshe Dayan - imagem em http://www.mfa.gov.il/MFAHeb/Mfa/Departments/foreign_ministers

Não sei por quê, mas talvez desconfie, esta noite veio-me à ideia uma certa frase deste homem.
Dizia ele que a estrada que trazia de Damasco a Telavive era a mesma que levava de Telavive a Damasco.
Viagem ao princípio do mundo*



*d'après Manuel de Oliveira

13/07/2006

Lisboa-Rossio, 1988

O Sandokan de quintal

Vi-me, sem saber ler nem escrever, dentro do clã.
O chefe, meu sogro, era uma figura terrível e temível, cuja autoridade ninguém parecia poder enfrentar.
Era fisicamente semelhante a um Kabir Bedi de Mompracém. Ou talvez mesmo do Cacém, sabe-se lá. E tinha um herdeiro em tudo parecido.
Da remessa de filhos contava-se um quase Pauleta, sempre envergando a camisola da selecção e treinando com outros numa espécie de picadeiro, e uma mocinha loira, muito bonita, que contrastavam com as características dos demais, kabirbedientas.
Da minha consorte, nem um vislumbre. Só a absurda dependência dos desejos e das ordens do chefe.
A coisa começou a azedar quando pai e filho apareceram com braçadeiras com as letras NSDAP em tipo romano. Eu nunca fui com movimentos de massas. E foi a tal ponto que terei mesmo alvejado o putativo herdeiro, meu cunhado à face da Lei.
Não se sabe como escapei com vida nas horas seguintes e ainda tive ensejo para os safar à prisão por um grupo organizado que os combatia.
Do reconhecimento que tiveram por tal gesto, resultou a minha libertação do seu jugo e do meu velho quintal onde quase toda a acção se passara. Entre a casinha e as oliveiras centenárias.
Da roseira às ameixeiras.
E vi-me, quase acto contínuo, em Timor...
Sem saber ler nem escrever, é claro. É com' áqui.

11/07/2006

O quilómetro falsificado

O mais preocupante foi a sensação estranha que o quilómetro falsificado me suscitou.
Uma mistura de déjà vu - e claro que eu já tinha visto outros quilómetros de cimento - com a quase certeza de que aquele em particular não podia deixar de ser falso.
Um certo arrepio, pois.
Como se as minhas esquadrinhações da carta militar já o houvessem revelado.



Os marcos miliários são de ordinário em pedra.
Alguém se lembrou entretanto de os fazer em cimento e tijolo. Como se uma falsificação tal passasse facilmente despercebida.

09/07/2006

E...

Scolari, cidadão italiano, lá viu o seu país ser campeão mundial do ludopédio
Final do Mundial

É da de 1998 que me lembro melhor. Não devo ter visto mais do que um minuto. Numa televisão do Aleixo. Aqui:


Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR
Infelizmente

A ironia do post anterior já deu lugar à tragédia.


foto MOP - imagem de um post de 19 de Dezembro de 2004
E pronto

Podemos voltar-nos para os incêndios.

E para outros fait divers mais divertidos:

Na SIC:
imagem:
o autocarro da selecção na E.N. 6-3 - que é o ramal que liga a E.N. 6 (Estrada Marginal) à A5, à CREL e a Queijas - ali entre a antiga bomba da Galp e o portão de acesso à tribuna do Estádio Nacional
comentário:
[...] o autocarro já está na zona de Miraflores... aliás, de Algés.

Na RTP:
notícia:
os mísseis da Coreia do Norte
leitura:
[...] Kim Yong Dois

06/07/2006

O caso de Dom Afonso Henriques

Uma maldade que não se pode fazer é perguntar a quem se propôs exumar o cadáver de Afonso de Borgonha, que tipo de resultados pretendia obter dessa exumação.

Todo o quadro revelado é, mais uma vez, e pela voz dos próprios, de uma ignorância atroz.

uns anos que tenho um post relacionado no prelo. Ainda não saiu. É sobre o Ötzi.

05/07/2006

Estoril, 2006

Das divisões do Mundo

O Mundo também se divide entre os que tratam com as crianças como se estas foram perfeitos imbecis e os outros.
Bons exemplos que retratam os primeiros são alguns anúncios que passaram e ainda passam na televisão.

E claro que o Mundo se divide também entre os que dizem Milfontes e os que dizem Vila Nova.
Anda a apetecer-me um banho entre as rochas. Ali para os lados da dita dos Pretos.

04/07/2006

1=2

O mesmo jornalista, na mesma reportagem, umas linhas entre as duas afirmações: o Metro de Valência é de última geração e é obsoleto.
A burrice é generalizada e é assim mesmo - atroz.

P.S. As afirmações referiam-se, é claro, ao mesmo elemento: as composições.
DR

Em 4 de Fevereiro de 2004, escrevi:
"[...] pode ser falha minha, mas não consegui encontrar o conjunto de alterações ao Código da Estrada que, suponho, estão em vigor desde dia 1 de Fevereiro. Com tanto dinheiro mal gasto, não seria uma boa ideia termos acesso rápido e bem conhecido às leis que nos regem? São as receitas da INCM que estão em causa? O que é que isso significa em euros?"

Hoje aplaudo a medida anunciada.

03/07/2006

Cilicisom

O futebol e as conversas à sua volta são um belíssimo exemplo da incapacidade de olhar e analisar um fenómeno.
O penalty é sempre penalty a nosso favor e nunca a favor dos outros.
A equipa é sempre maravilhosa quando ganha e merdosa quando perde.
Tudo isto é certo e sabido e não tem nada de novo.
É também um campo, entre muitos, onde campeia a ignorância, o disparate, a crendice e onde, como se vê, quem tem um olho é rei.
O interessante da coisa é que se pode ver, nestas épocas de grande excitação e de acumulação copiosa de dislates, nessa verdadeira compilação de absurdos e de incoerências, um espelho de tudo o resto.
Está ali a política que não existe, a educação que se desconhece, a instrução que falece, uma espécie de grande montra de aberrações circenses que, vistas mais de perto, são afinal o nosso retrato mais fiel. E triste.

A cilicisom apanha-me dentro do chapitô.