Avaria
Uma avaria algures, algo que ainda não entendi, não me deixa colocar aqui as coisas que pretendo. Só uma ou duas linhas e vá lá.
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17/06/2006
14/06/2006
10/06/2006
09/06/2006
08/06/2006
O homem difícil de entender
Creio que ele me conhece de ginjeira, da minha ginjeira. Eu por certo não me recordo da primeira vez que o vi. Estava lá no café dele ou no escritório, mesmo ao lado. E já nessa época, quarenta e tal anos mais novo, eram poucos os que o percebiam bem. Que retiravam sentido dos sons que ele articulava. Pela forma pausada, arrastada e muito, muito baixa com que se exprime.
Apenas sei que nunca tive dificudade em perceber o que diz.
Não me recordo de o ter alguma vez encontrado a norte do Paralelo 38.
Daquelas pessoas de quem temos a errada impressão de que nunca saem de certas balizas que nós, romanticamente, lhes marcamos.
O certo é que, da última vez que o encontrei, por portas e travessas desembocámos em conversa às portas do Palácio de Queluz. Sempre a sul do Paralelo 38. Mas em Queluz.
E, rindo-se, disse-me: Sabe, talvez sejam - são de certeza - minhas as últimas fotografias do Palácio ainda com dois pisos. Fotografei-o horas antes do incêndio. E só soube disso uns dias depois, já aqui estava.
O que eu gostava de ver essas fotos.
Creio que ele me conhece de ginjeira, da minha ginjeira. Eu por certo não me recordo da primeira vez que o vi. Estava lá no café dele ou no escritório, mesmo ao lado. E já nessa época, quarenta e tal anos mais novo, eram poucos os que o percebiam bem. Que retiravam sentido dos sons que ele articulava. Pela forma pausada, arrastada e muito, muito baixa com que se exprime.
Apenas sei que nunca tive dificudade em perceber o que diz.
Não me recordo de o ter alguma vez encontrado a norte do Paralelo 38.
Daquelas pessoas de quem temos a errada impressão de que nunca saem de certas balizas que nós, romanticamente, lhes marcamos.
O certo é que, da última vez que o encontrei, por portas e travessas desembocámos em conversa às portas do Palácio de Queluz. Sempre a sul do Paralelo 38. Mas em Queluz.
E, rindo-se, disse-me: Sabe, talvez sejam - são de certeza - minhas as últimas fotografias do Palácio ainda com dois pisos. Fotografei-o horas antes do incêndio. E só soube disso uns dias depois, já aqui estava.
O que eu gostava de ver essas fotos.
07/06/2006
06/06/2006
01/06/2006
31/05/2006
A emboscada da Avenida do Aeroporto
Não. Aqui não. Não tenho, não temos, vocação de suicidas.
Aqui matas três ou quatro e a seguir não tens escapatória. Fecha o portão.
Atão porra?
Atão temos que encontrar uma situação mais favorável. Onde, de longe, possas abater o maior número de gajos, pá. E alguma hipótese de fuga. Aqui não dá.
Por trás do muro, desfrutavam a vista do vale de Loures, transplantado que estava para as vizinhanças do Areeiro.
Dado se encontrarem numa espécie de caminho de festo e as ribanceiras serem perigosas, tinham que se equilibrar com cuidado para não se precipitarem por ali abaixo.
Foi depois de uma descida ao vale e de uma nova subida, mais além, em reconhecimento, que finalmente aportaram ao Retiro.
Foram logo conduzidos ao reservado, com o beneplácito de um elemento da Resistência.
Aí, já se encontrava um grupo à mesa. Ruidoso e bem-disposto. As HK G-3 em sarilho a um canto.
Saudaram-se. Foram ocupar uma mesa do lado das janelas que davam para o vale.
O grupo era da Figueira da Foz. Viera a pé desde lá e não encontrara inimigos no trajecto. Tinha aqui em Lisboa uma táctica mais própria de atiradores furtivos. Disparavam de plano alto, quase sempre de janelas, um ou dois tiros pela certa. E seguiam.
Não tiveram coragem de lhes dizer que ainda não haviam disparado um único tiro.
Dali seguiram à cata de munições. Encontraram um outro grupo que parecia vir ou de festas populares ou de uma queima. Estranharam-se mutuamente.
Estes achavam que os invasores retirariam por cansaço.
Não foi possível convencê-los de que esse cansaço teria que ser provocado.
Uma das moças do grupo ficou para trás...
Esta recordação de uma noite mal dormida foi-me despertada pelo episódio da Perna de Pau, das andanças de Bic Laranja. Com a referida achega de Paulo Cunha Porto.
Foi por eles que percebi onde estivera.
Não. Aqui não. Não tenho, não temos, vocação de suicidas.
Aqui matas três ou quatro e a seguir não tens escapatória. Fecha o portão.
Atão porra?
Atão temos que encontrar uma situação mais favorável. Onde, de longe, possas abater o maior número de gajos, pá. E alguma hipótese de fuga. Aqui não dá.
Por trás do muro, desfrutavam a vista do vale de Loures, transplantado que estava para as vizinhanças do Areeiro.
Dado se encontrarem numa espécie de caminho de festo e as ribanceiras serem perigosas, tinham que se equilibrar com cuidado para não se precipitarem por ali abaixo.
Foi depois de uma descida ao vale e de uma nova subida, mais além, em reconhecimento, que finalmente aportaram ao Retiro.
Foram logo conduzidos ao reservado, com o beneplácito de um elemento da Resistência.
Aí, já se encontrava um grupo à mesa. Ruidoso e bem-disposto. As HK G-3 em sarilho a um canto.
Saudaram-se. Foram ocupar uma mesa do lado das janelas que davam para o vale.
O grupo era da Figueira da Foz. Viera a pé desde lá e não encontrara inimigos no trajecto. Tinha aqui em Lisboa uma táctica mais própria de atiradores furtivos. Disparavam de plano alto, quase sempre de janelas, um ou dois tiros pela certa. E seguiam.
Não tiveram coragem de lhes dizer que ainda não haviam disparado um único tiro.
Dali seguiram à cata de munições. Encontraram um outro grupo que parecia vir ou de festas populares ou de uma queima. Estranharam-se mutuamente.
Estes achavam que os invasores retirariam por cansaço.
Não foi possível convencê-los de que esse cansaço teria que ser provocado.
Uma das moças do grupo ficou para trás...
Esta recordação de uma noite mal dormida foi-me despertada pelo episódio da Perna de Pau, das andanças de Bic Laranja. Com a referida achega de Paulo Cunha Porto.
Foi por eles que percebi onde estivera.
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